DeborahDiiaz _
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Pensamentos ;*
Eu estava triste, o coração apertadinho, o tempo chuvoso no rosto. O pensamento andando em círculos em torno de um único ponto. Na berlinda, um daqueles problemas que a gente precisa resolver, mas não tem a mínima ideia de como. Daquele tipo espaçoso, metido à besta, que diz ser maior do que nós e a gente quase acredita. Todo mundo se depara com um mentiroso desses, de vez em quando. Eles não são seletivos, batem em tudo o que é porta. Astutos, encontram um jeito para entrar mesmo quando tentamos impedir. Alguns nem são novos como o impacto do desconforto faz parecer. Reaparecem, de tempos em tempos, com novidades da versão atualizada do seu programa. Novidades que, às vezes, tornam um pouco mais complicado o que já era difícil. Eu estava lá há um tempão, olhando para o dito cujo, assustada como um passarinho que se flagra num alçapão. Não conseguia ver um fiapo que fosse de outra coisa qualquer além dele. Problema espaçoso, metido à besta, é assim: se a gente lhe der muita confiança, ele monopoliza o tempo do nosso olhar sem nenhum constrangimento. Mas, de repente, eu cansei do cativeiro. Da tristeza. Do aperto. Da chuva no rosto. Por algum lampejo de lucidez, percebi que nada daquilo me ajudaria a solucioná-lo naquele momento, embora fosse o que eu mais quisesse. Só se o gênio da lâmpada aparecesse ali e me concedesse um pedido, mas como a lâmpada mais próxima ficava no lustre, desconfiei não poder contar com aquela alternativa. Foi aí que peguei meu violão. Comecei a tocar meio desanimada, cantarolando uma música aqui, outra ali, a voz ainda atrapalhada pelos respingos da tristeza, mas sem me importar com o detalhe de não saber tocar nem cantar de verdade. Depois de alguns minutos, envolvida com a brincadeira, eu já não sentia tão intensamente o peso do tal problema, aquele que eu não poderia resolver de uma hora pra outra. Não demorou para que o meu coração ficasse mais solto e o tempo chuvoso me desse uma trégua. Não foi mágica, apenas uma mudança consciente de foco. Troquei de canal para levar minha vida pra passear um pouco. Para soprar algumas nuvens. Para respirar melhor. Ao permitir que o pensamento se dissipasse, abri espaço para mudar meu sentimento. O problema continuava no mesmo lugar; eu, não. Nós nos encontraríamos outras tantas vezes até que eu pudesse solucioná-lo, mas eu não precisava ficar morando com ele enquanto isso. Os pensamentos preparam armadilhas pra gente. Ao cairmos nelas, nos enredamos de tal maneira que esquecemos ser capazes de sair de lá. A vastidão da nossa alma fica reduzida a um cubículo, como se não tivesse espaço suficiente para abrigar uma variedade de sentimentos. Passamos a nos comportar como se tivéssemos apenas um lápis de cor e não a caixa inteira. Nós nos apegamos a alguns pensamentos e lhes conferimos exclusividade. Nós lhes damos o cetro e a coroa e afirmamos o seu poder sobre as nossas emoções. Ficamos presos neles, feito passarinho quando cai no alçapão. A diferença é que, por mais que tente, ele não pode sair de lá sozinho, ao contrário de nós. Passarinho tem asas do lado de fora. A gente, do lado de dentro. dor que é exibida, dói com tanto estardalhaço que parece arrastar tudo o que encontra pelo caminho para doer com ela. Tem dor discreta, afeita à pouca luz, que fere com calma, cresce sem fazer ruído, e nos surpreende quando resolve nos contar que está lá. Tem dor que se camufla e se mistura tão perfeitamente às folhagens de algumas emoções, que ao sermos golpeados não conseguimos discernir a origem do ataque. Tem dor antiga que, ao longo da vida, muda de tom, em dégradé, mas sempre arruma uma maneira de doer. Tem dor recém-chegada, as malas ainda no chão, que a gente não sabe sequer o nome que tem. Tem dor de tudo o que é jeito na alma. Aquela era uma dor velha conhecida minha. Dessas dores que a gente sabe mais ou menos quantos anos têm, do que gostam de se alimentar, o que costumam vestir. Dessas dores quase sem surpresa, a mesma lengalenga, a mesma maneira de incomodar. Era uma dor da qual eu reconhecia o cheiro quando se aproximava, o barulho dos passos, a atmosfera que lhe antecipava a chegada. Uma dor que, frente a frente, olhos no olhos, eu perguntava já sem rodeio: "você, de novo?" De novo. Ainda, de novo. Ainda é um tempo que às vezes parece que não vai passar nunca mais. Tem vez que a gente gosta. Tem vez que não. O que eu não sabia a respeito daquela dor era porque latejava tanto. O que, de fato, abriu a ferida que ela sinalizava existir. Que ferida era aquela que se estendia, em ondas cada vez maiores, para tantas áreas de mim. Praia de Ipanema, o domingo ainda fresquinho, recém-saído do forno que prepara os dias. Era azul, mas, de repente, quando eu percebi, o sol havia se escondido por trás de nuvens grávidas de chuva, numa dança sincrônica com o que acontecia no meu coração. Sim, ela estava lá, de novo, a tal dor. Daquela vez, surpreendente. Não lhe ouvi os passos, não lhe senti o cheiro, tampouco o meu ouvido reconheceu a mensagem que veio me dizer, ao se aproximar. À beira-mar, meus pés fortemente aterrados na areia, veio o insight. Em segundos, vi o sentimento que me acompanhou durante tanto tempo passar pela minha mente numa velocidade que não permite imagem. Um tempo outro onde não cabem palavras, apenas a substância que as antecede. Repentinamente, fui inundada por um entendimento que só acontece quando é possível sentir. Uma revelação. A vivência de algumas dores se assemelha à circunstância de estarmos presos num ambiente completamente escuro e desconhecido, onde precisamos tatear para tentar caminhar dentro dele, descobrir o que abriga, encontrar o interruptor. Várias suposições, alguns equívocos de percepção, nenhuma certeza. Há momentos nessa busca em que nos sentimos desesperançados, a impressão de que mesmo as nossas tentativas mais corajosas não são capazes de nos ajudar a sair daquele lugar. Até que chega o instante em que conseguimos acender a luz que engole toda a escuridão. Podemos ver claramente o que estava ali o tempo todo. Temos, enfim, a oportunidade de sair de lá. Foi o que aconteceu comigo naquela manhã. Eu vi o que abriu a ferida e entendi porque aquela dor latejava tanto. Ainda à beira-mar, os olhos na direção do horizonte, mas pousados em algo que somente eu podia ver, senti que, naquele instante, o meu coração me pedia apenas para eu desistir. Desistir da ilusão a qual eu me apegava, embora já lhe conhecesse a fragilidade. Desistir da expectativa sempre acompanhada da frustração que ela envolvia. Desistir de tentar entupir aquele espaço vazio com tantas coisas incapazes de preenchê-lo. Desistir de manter aberta aquela ferida até que pudesse ser curada pelo remédio que, por tanto tempo, elegi ser o único capaz de curá-la. Não, aquele remédio que aguardei que viesse não viria mais. Não viria nunca. A possibilidade disponível de cura viria somente da minha aceitação. Do meu desapego. Do meu autopreenchimento. Naquele instante, aceitei o pedido: eu escolhi desistir. Escolhi sair daquela dor. Ainda não sabia exatamente como fazê-lo. Mas estava confiante de que, de alguma forma, eu aprenderia. O mar já havia me levado vários anéis, mas foi a primeira vez que o mar me levou uma ilusão. A ferida, eu sabia, demoraria um pouquinho para cicatrizar, como acontece com todas elas, as do corpo e as da alma, mesmo quando param de doer. Naquele dia, entre tantas emoções, experimentei uma terna gratidão pela perspectiva de cura e pela capacidade que a vida tem de se renovar, mesmo quando passa um bocado de tempo doendo. Para minha surpresa, um pouco mais tarde, depois de uma chuva fina, o sol voltou a brilhar lá no céu. Eu sentia que o meu sol também voltaria a aparecer, embora fosse provável que ainda demorasse algumas nuvens. Chega um momento em que a gente se dá conta de que, às vezes, para sermos verdadeiros com nós mesmos, precisamos ter o desprendimento para abençoar as tentativas sem êxito, agradecer pelo o que cada uma nos ensinou, e seguir. De que, às vezes, para se reconstruir, é preciso demolir construções que, por mais atraentes que sejam, não são coerentes com a ideia da nossa vida. A gente se dá conta do quanto somos protegidos quando estamos em harmonia com o nosso coração. De que o nosso coração é essencialmente puro. Essencialmente, amoroso, o bordador capaz de tecer as belezas que se manifestam no território das formas. De que, sabedores ou não, é ele que tem as chaves para as portas que dão acesso aos jardins de Deus. E, vez ou outra, quando em plena comunhão criativa, entra lá, pega uma muda de planta e traz para fazê-la florescer no canteiro do mundo. Não faz muito tempo, uma amiga me disse que não tem estrutura para sentir dor com a intensidade com que geralmente sinto quando a dor resolve dar as caras. Ao escutar o barulho da porta que anuncia a chegada da dita-cuja, que sabe jeitos de abrir todo tipo de tranca, ela foge, contou-me rindo da costumeira estratégia. Irmanada também pelas artimanhas que inventamos pelo caminho, às vezes apenas para sobreviver às ameaças dos nossos próprios dramas, eu lhe perguntei como poderia escapar se a dor, ardilosa, espaçosa, já estava dentro de casa. “Ah, querida, mas tem a porta dos fundos!...” Tem mesmo. Rindo ali com ela, cada uma experimentando a própria encrenca emocional da vez, com o roteiro da vez, com o cenário da vez, com o elenco da vez, eu me lembrei de um monte de situações em que tentei fugir da mesma maneira, pela porta dos fundos. Eu me lembrei de vezes em que, de fato, fugi, toda prosa por acreditar ter conseguido. Eu me lembrei que fugir, às vezes, é necessário para recuperar o fôlego. Para restaurar a força. Para retomar o contato. Não é que eu tenha estrutura para sentir dor. A propósito, eu acredito que bravura mesmo é ter estrutura para sentir felicidade. Na verdade, toda vez que as dores abissais me visitam e mergulho no oceano nada pacífico do seu breu é trabalhoso demais emergir para o lugar onde eu já consiga ver pelo menos um bocadinho de sol. Na verdade, o que eu acho é que não tenho escolha que não seja invocar a coragem para ficar comigo e tentar transformar o que precisa ser transformado, mesmo doendo à beça, mesmo tremendo de medo. Aprendi com o tempo das fugas que quando a dor atravessa a porta é inútil correr. Na verdade, o que eu tenho, agora, simplesmente por memória, é alguma lucidez e um bocado de preguiça. Toda porta dos fundos nos leva para um lugar fora da gente. Uma hora, mais cedo ou mais tarde, querendo ou não querendo, fazendo birra, tentando desconversar, precisamos voltar pra casa se não quisermos passar o resto da vida longe de nós mesmos. E aí tanto faz por qual porta nós voltamos, se pela da frente, se pela dos fundos: a dor está lá, empoeirada que seja. Cheirando a mofo, quem sabe. Esta lá, com uma cara ou com outras, paciente, a nossa espera. E maior, bem maior, que fuga costuma ser fermento. Ela não vai embora só porque a gente fugiu. Quem dera pudesse. Aprendi com o tempo das fugas e com o resultado de cada uma delas que podemos adiar o encontro do nosso olhar com os olhos perturbadores da dor, mas não tem jeito: em algum quarteirão da vida, eles vão se encontrar. Por isso, agora, toda vez que acontece, escolho ficar em casa. Escolho encarar de uma vez. Mergulho inteirinha, protegida com o escafandro da fé e do amor que me habitam. Dor adiada é dor acumulada, apenas isso, é o que aprendi comigo. É o que aprendi com as dores. E a vida é tão mágica que, lá no fundo mais fundo do oceano nada pacífico de cada uma delas, lá no instante ou quase em que a pilha da lanterna acaba, a gente descobre um jeito novo, muito lindo, muito nosso, comovente muitas vezes, para conseguir emergir e transformar o que parecia impossível de transformação. E não é exagero dizer que geralmente emergimos mais corajosos. Mais ternos. Mais bondosos. Mais nós mesmos. Mais conscientes do que, de verdade, nos importa. Com mais urgência de nos sentirmos felizes na nossa própria pele. No fundo mais fundo, não é raro nos sentirmos sozinhos. Estamos doendo tanto que, pra começo de conversa, a nossa própria presença nos falta, isto que é a mais perigosa solidão. Mas é um engano temporário, comum nos tempos em que os nossos olhos estão embaçados demais pelo medo: tanto faz o aparente e transitório tamanho da solidão, não estamos sozinhos nunca. E não estamos mesmo. O amor, não importa de que forma se manifeste, encontrará maneiras para nos tirar lá desse lugar com recursos às vezes inimagináveis. Podemos estar tão cansados pelo breu que não conseguimos perceber num primeiro momento, nem num oitavo, nem num trigésimo, o convite da luz. Mas, de um jeito ou de outro, o amor que nos habita não cansará de tentar. Ele não foge pela porta dos fundos.
sábado, 30 de julho de 2011
Me apaixonei pela mina de meu amigo.por que qui aconteceu isso comigo
Meu amigo gosta de uma menina,e eu gosto dela também.meu amigo esta doido por ela mas ela só quer a amizade dele e ele ñ cai na real.se eu disser pra ele que ela ñ quer nada serio com ele,ele vai diser que eu quero roubar a menina que eli sempre quis.o que qui devo faser.mandem recados para me ajudar por favor.
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